Você sempre disse que a Itália era seu lugar e de lá nunca mais vai voltar

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Prazer, sou Catia Dal Molin, quarta geração de uma família que emigrou para o Sul do Brasil e gostaria de contar para vocês sobre minha experiência de migrante, a minha emigração de retorno em busca das minhas origens na Itália e o meu amor por essa terra.

O amor pela Itália começou com minha avó, Santina Ferron, filha de imigrantes de Orgiano (Vicenza) que se estabeleceram no sul do Brasil no final do século XIX, início do século XX, como tantos outros em busca de “pão e trabalho” e uma vida melhor para seus filhos.

Imigração italiana no Brasil

Silvio Antonio Ferron, meu bisnono, nasceu nessa localidade em 1866, filho de Giovanni Ferron e Luigia Muraro, neto de Antonio Ferron e Mathea Pozza. Casou-se com Elizabeta Venturini em 1885 em Bento Gonçalves. Emigraram para o Brasil e, em 28 de janeiro de 1883, desembarcaram no Rio de Janeiro. Por volta de 1903-1906 estabeleceram-se definitivamente em São João do Polêsine.

Silvio e Luigia tiveram 13 filhos: Emilio, Artur, Cornélia, Cornélio, Elvira, Antonio, Leonilda, José, Sílvio, Ricardo, Demétrio, Santina (minha vó) e Narciso. Cornélia e Sílvio faleceram pequenos.

Minha nonna me transmitiu seu amor por uma terra que ela nunca conheceu, da qual ouviu falar de seus pais, emigrantes.  Em seus olhos via a sua Orgiano! Em suas histórias, eu viajei por uma Itália mágica. Para mim, quando criança, tudo isso era uma aventura em uma terra muito distante.  Quando eu era pequena, preparava a minha valigia di cartone (mala de papelão), colocava duas bonecas lá dentro e dizia à minha mãe: “Adeus mãe, vou para a Itália!” Quem sabe o que aquela criança estava pensando e sentindo, mas minha avó certamente foi a pessoa que me inspirou com suas histórias. Quando completei seis anos, minha mãe me deu um globo, grande e bonito e a primeira coisa que procurei foi a “terra da avó“, a Itália.

Meus avós falavam uma língua “estranha” para muitos, mas não para mim. Eu, inconscientemente, entendia tudo, como se eles estivessem falando português. Eles falavam “talian” mas nunca me deixaram falar porque era ‘feio’, diziam eles, e quando cresci descobri que, na verdade, tinham medo das restrições impostas pelo governo Vargas durante a Segunda Guerra Mundial no Brasil. Enquanto crescia, queria pesquisar e escrever livros sobre o assunto, mas isso é outra história.

Catia Dal Molin - blog

Orgiano, cidade de origem da família Ferron

A nonna me pegava em seus braços e cantava “Quel mazzolin di fiori” ou “Merica Merica“, minhas canções de ninar. Meu avô se emocionava cada vez que ouvia estas canções. Lembro-me das lágrimas em seu rosto e do fio de voz em seu corpo debilitado para tentar nos acompanhar nas canções. 

Sempre me dediquei a pesquisar a emigração de pessoas da região do Vêneto para o Brasil. Foi por isso que vim à Itália pela primeira vez em 2003, vi a Orgiano de minha avó e tudo o que ela me contou, o que na verdade foi transmitido a partir das lembranças dos pais dela.

Fui também procurar o lugar onde meu bisavô paterno, Angelo Giovanni Maria Dal Molin, foi batizado em San Michele Extra, Verona, e todos os lugares de origem dos meus bisavós. Uma emoção difícil de explicar! Angelo foi o comprador do lote nº 1 da atual cidade de São João do Polêsine, no sul do Brasil, onde também construiu um pequeno capitel.

 

Monumento Praça SJdo Polesine

Placa que se encontra na Praça de São João do Polêsine, RS, indicando o comprador do lote n.1, meu bisavô, Angelo Giovanni Maria Dal Molin.

A partir daquele momento, eu sabia que a Itália seria minha terra, o lugar onde eu queria viver para sempre e trazer os corações de meus antepassados de volta para casa. E foi isso que eu fiz. Em 2007, com minhas ‘malas de papelão’ cheguei à Itália para realizar o sonho de minha avó (e talvez o de seus pais que nunca mais voltaram para casa).  Sentada na minha cama, enquanto terminava os preparativos para a viagem, minha mãe me disse: “ Você sempre disse que a Itália era seu lugar e de lá nunca mais vai voltar”

Eles amaram tanto esta terra e hoje estou contando a minha história, que pode ser a história de qualquer um dos mais de 30 milhões de descendentes de italianos que vivem no Brasil. 

Este é o “input” mais importante para entender sobre uma emigração para a América, para o sul do Brasil, inicialmente desconhecida, depois conhecida através das cartas e dos olhos dos parentes que já haviam emigrado. No sul do Brasil, este pedaço de Vêneto permaneceu na cultura e nas tradições de nossos antepassados, transmitidas de uma geração para a outra, até hoje. 

Por esse motivo, por eles, meus bisavós, criei o Gens Turismo Genealógico Itália e quero poder transmitir esse amor e conhecimento que adquiri em todos esses anos de Itália aos clientes que um dia sonharam em conhecer a terra dos nonnos, a Itália, assim como eu. 

Saiba mais sobre o Turismo Genealógico aqui.

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